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sábado, 19 de novembro de 2011

POEMA - EDIFÍCIO ESPELHO / PRATA

Em minha casa não possuo um espelho de prata


Tem um espelho normal preso ao móvel de lenha


Quem usa destas mordomias são ricos de gravata


Para ter o meu tive numa fila depois de tirar senha



Conheço um mamarracho na freguesia do capacho


Taxado de espelho de prata mas alguém o coloriu


Que serviu de tacho para uns e outros de escacho


Foi aborto parido nado. Foi feto nascido que floriu.



Nasceu cor-de-rosa, bailou de garra em gadanha.


Estancou! Ouve trocas e baldrocas, até escrituras


Passou do jogo da macaca para a apanha /apanha


E uns que ficaram com dinheiro a arderem às urras.



Que banco deu aval a tal assento? Qual a sua conta.


Quem ficou sem o lugar? Para outros se sentarem?


A música da dança de mão em mão que desponta


É que uns ficaram a mamar outros a praguejarem!



Quem é o dono do dono que o fez de um albergue


Para mosquito entrar e as paredes se enferrujarem


Quem será o joão-pestana do sonho que o entregue


Aos que primeiro o assinalaram sem nele entrarem!?



Aquela obra de arte é de quem? Não tem autor nem madre!


Que fraude ouve no seu desmando de brincadeira?


É o jogo da macaca ou da apanha /apanha de quem ladre!


Datem – me a regra que o ergueu ou qual a cadeira


Que serviu para tirar o espelho partir o vidro e levar a prata


E qual a roupa vestida para não mostrarem a tinhosa rata!?




Ali existe um quê de esquisito. Pede pergunta!


Parece um bairro devoluto de imensas barracas


Será que tanta gente que por lá andou tão junta


Não deixaram estampas digitais para a resposta?


Lá andam morcegos e vampiros a luz é sombria


São hóspedes fora da lei e com a cabeça exposta


Quando será que alguém aclare a certeza um dia!


Eu sei de muitas versões mas cedo esta proposta.


ALBERTO DE CANAVEZES