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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Coimbra não é uma Cidade qualquer!

 

Ninguém se trajou para receber a “Kristin”. Assomou o “Leonardo”, “Marta” e o “Oriana”, e de depressão em depressão o desespero e a angústia, rivalizou com o cataclismo prostrado a nossos pés. Viveram-se horas de penetrante assombro. Inquietude.

A dor, as feridas, as lágrimas, o reerguer, as privações no átrio da devastação, tiveram imensos minutos de profundo silêncio. Perdeu-se a bussola. Só houve as palavras – imediatas – dos vizinhos e de quem tem o coração, mais adiante da razão. Os que galgaram obstáculos e fizeram da vegetação e algeroz…, redundantes pelo chão a flora e telha de procurar os seus amigos e familiares. Nessa voluntariedade de sobrevivência houve a necessidade de lhe acrescentar sentimentos e amores. Abraços. Afagos. E isso acrescentou mais infinitude ao tempo!

E ao vento que passou e chuva que caiu, na destruição que semearam, começou-se a ouvir gemidos e falas com mensagens. Portugal, acordou da indolência. Atónitos começamos a assistir a trechos de fitas e de repente a um filme que nos capturou as atenções. Uns e outros, não reparamos em cada um de nós, que olhos se emudeceram e os nossos corpos tremiam. Tudo se confundia entre a chuva e o frio.

No excesso da natureza fomos descobrindo que a unicidade padronizada de recursos é mais uma soma a adicionar à fustigação. Temos que possuir alternativas.  Que só assim o “Kit” de sobrevivência fica completo. Não podemos nem devemos possuir só uma fonte de energia, de recursos. Temos é que regradamente consumir e cultivar segurança, alternativas, prevenções e reações. Gerar catalisadores. 

Fomos achando e encontrando mágoas e devastação e tentamo-nos socorrer e adaptar. Emergiu a solidariedade. Apareceram as regências e os seus rostos e vozes. Quão, momentos em que se ouviram pessoas que foram nestas intempéries e xises, lenitivas e anestésicos. Faceta interpretativa que não instrumentalizo e cinjo na ideologia e militância partidária. Com esse sentido e sentimento cívico, não posso deixar de expressar a minha gratidão e respeito à mulher que critiquei como Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Centro e Ministra da Coesão Territorial nos XXII e XXIII Governos Constitucionais, Professora Doutora Ana Abrunhosa, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra.

A sua capacidade de liderança, conduta firme, presença assídua, apelo de mensagem, prontidão de decisão, espírito de equipa e serenidade, foram de um “encanto” que Coimbra e o Distrito merece e roga.

Coimbra não é uma cidade qualquer. A seu montante não rebenta só o Rio Mondego e a jusante o “Baixo Mondego” serve só, para conter o seu disfarce de “bazófias”!  A sua irreverência e charme ultrapassa do “Choupal até à Lapa” um sentimento de identidade única e sublime. A aura de futrica, tricana e doutor…, não se esgota na sua urbe nem desembaúla pela ruralidade das outras cidades, vilas, freguesias e aldeias a seus pés. Complementa-se e contempla-se nesses amores e desamores. E Ana Abrunhosa não fechou as portas da cidade, abriu-as de par em par e abraçou Soure, Montemor-o-Velho e a Figueira da Foz. Falou-nos de nós. Teve a intuição de saber que Coimbra não pode esquecer a sua padroeira, Rainha Santa Isabel, e o seu regaço de prodígios. Assim é o desígnio de Coimbra, do seu Distrito. Assim é o dever do seu autarca maior. 

São estas existências políticas com os seus paradigmas de democracia, que não esgotam a exigência com compromisso e a sua convenção de requisitos. Existem em mim um juízo de razão e análise que não se subjuga ao “politicamente correto”, mas ao primado das suas regras e valores. Reconhecer méritos e aptidões em democracia pluralista, não é fragilizar o espaço de ninguém, é um dos princípios para incentivar a nossa melhor versão em prol da comunidade.