
Ninguém se trajou para receber
a “Kristin”. Assomou o “Leonardo”, “Marta” e o “Oriana”, e de depressão em
depressão o desespero e a angústia, rivalizou com o cataclismo prostrado a
nossos pés. Viveram-se horas de penetrante assombro. Inquietude.
A dor, as feridas, as
lágrimas, o reerguer, as privações no átrio da devastação, tiveram imensos
minutos de profundo silêncio. Perdeu-se a bussola. Só houve as palavras –
imediatas – dos vizinhos e de quem tem o coração, mais adiante da razão. Os que
galgaram obstáculos e fizeram da vegetação e algeroz…, redundantes pelo chão a
flora e telha de procurar os seus amigos e familiares. Nessa voluntariedade de
sobrevivência houve a necessidade de lhe acrescentar sentimentos e amores.
Abraços. Afagos. E isso acrescentou mais infinitude ao tempo!
E ao vento que passou
e chuva que caiu, na destruição que semearam, começou-se a ouvir gemidos e
falas com mensagens. Portugal, acordou da indolência. Atónitos começamos a
assistir a trechos de fitas e de repente a um filme que nos capturou as
atenções. Uns e outros, não reparamos em cada um de nós, que olhos se
emudeceram e os nossos corpos tremiam. Tudo se confundia entre a chuva e o
frio.
No excesso da natureza fomos
descobrindo que a unicidade padronizada de recursos é mais uma soma a adicionar
à fustigação. Temos que possuir alternativas.
Que só assim o “Kit” de sobrevivência fica completo. Não podemos nem
devemos possuir só uma fonte de energia, de recursos. Temos é que regradamente
consumir e cultivar segurança, alternativas, prevenções e reações. Gerar
catalisadores.
Fomos achando e encontrando
mágoas e devastação e tentamo-nos socorrer e adaptar. Emergiu a solidariedade.
Apareceram as regências e os seus rostos e vozes. Quão, momentos em que se
ouviram pessoas que foram nestas intempéries e xises, lenitivas e anestésicos.
Faceta interpretativa que não instrumentalizo e cinjo na ideologia e militância
partidária. Com esse sentido e sentimento cívico, não posso deixar de expressar
a minha gratidão e respeito à mulher que critiquei como Presidente da Comissão
de Coordenação e Desenvolvimento Regional Centro e Ministra da Coesão
Territorial nos XXII e XXIII Governos Constitucionais, Professora Doutora Ana
Abrunhosa, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra.
A sua capacidade de liderança,
conduta firme, presença assídua, apelo de mensagem, prontidão de decisão,
espírito de equipa e serenidade, foram de um “encanto” que Coimbra e o Distrito
merece e roga.
Coimbra não é uma
cidade qualquer. A seu montante não rebenta só o Rio Mondego e a jusante o
“Baixo Mondego” serve só, para conter o seu disfarce de “bazófias”! A sua irreverência e charme ultrapassa do
“Choupal até à Lapa” um sentimento de identidade única e sublime. A aura de
futrica, tricana e doutor…, não se esgota na sua urbe nem desembaúla pela
ruralidade das outras cidades, vilas, freguesias e aldeias a seus pés.
Complementa-se e contempla-se nesses amores e desamores. E Ana Abrunhosa não
fechou as portas da cidade, abriu-as de par em par e abraçou Soure,
Montemor-o-Velho e a Figueira da Foz. Falou-nos de nós. Teve a intuição de
saber que Coimbra não pode esquecer a sua padroeira, Rainha Santa Isabel, e o
seu regaço de prodígios. Assim é o desígnio de Coimbra, do seu Distrito. Assim
é o dever do seu autarca maior.
São estas existências
políticas com os seus paradigmas de democracia, que não esgotam a exigência com
compromisso e a sua convenção de requisitos. Existem em mim um juízo de razão e
análise que não se subjuga ao “politicamente correto”, mas ao primado das suas
regras e valores. Reconhecer méritos e aptidões em democracia pluralista, não é
fragilizar o espaço de ninguém, é um dos princípios para incentivar a nossa
melhor versão em prol da comunidade.