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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Coimbra não é uma Cidade qualquer!

 

Ninguém se trajou para receber a “Kristin”. Assomou o “Leonardo”, “Marta” e o “Oriana”, e de depressão em depressão o desespero e a angústia, rivalizou com o cataclismo prostrado a nossos pés. Viveram-se horas de penetrante assombro. Inquietude.

A dor, as feridas, as lágrimas, o reerguer, as privações no átrio da devastação, tiveram imensos minutos de profundo silêncio. Perdeu-se a bussola. Só houve as palavras – imediatas – dos vizinhos e de quem tem o coração, mais adiante da razão. Os que galgaram obstáculos e fizeram da vegetação e algeroz…, redundantes pelo chão a flora e telha de procurar os seus amigos e familiares. Nessa voluntariedade de sobrevivência houve a necessidade de lhe acrescentar sentimentos e amores. Abraços. Afagos. E isso acrescentou mais infinitude ao tempo!

E ao vento que passou e chuva que caiu, na destruição que semearam, começou-se a ouvir gemidos e falas com mensagens. Portugal, acordou da indolência. Atónitos começamos a assistir a trechos de fitas e de repente a um filme que nos capturou as atenções. Uns e outros, não reparamos em cada um de nós, que olhos se emudeceram e os nossos corpos tremiam. Tudo se confundia entre a chuva e o frio.

No excesso da natureza fomos descobrindo que a unicidade padronizada de recursos é mais uma soma a adicionar à fustigação. Temos que possuir alternativas.  Que só assim o “Kit” de sobrevivência fica completo. Não podemos nem devemos possuir só uma fonte de energia, de recursos. Temos é que regradamente consumir e cultivar segurança, alternativas, prevenções e reações. Gerar catalisadores. 

Fomos achando e encontrando mágoas e devastação e tentamo-nos socorrer e adaptar. Emergiu a solidariedade. Apareceram as regências e os seus rostos e vozes. Quão, momentos em que se ouviram pessoas que foram nestas intempéries e xises, lenitivas e anestésicos. Faceta interpretativa que não instrumentalizo e cinjo na ideologia e militância partidária. Com esse sentido e sentimento cívico, não posso deixar de expressar a minha gratidão e respeito à mulher que critiquei como Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Centro e Ministra da Coesão Territorial nos XXII e XXIII Governos Constitucionais, Professora Doutora Ana Abrunhosa, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra.

A sua capacidade de liderança, conduta firme, presença assídua, apelo de mensagem, prontidão de decisão, espírito de equipa e serenidade, foram de um “encanto” que Coimbra e o Distrito merece e roga.

Coimbra não é uma cidade qualquer. A seu montante não rebenta só o Rio Mondego e a jusante o “Baixo Mondego” serve só, para conter o seu disfarce de “bazófias”!  A sua irreverência e charme ultrapassa do “Choupal até à Lapa” um sentimento de identidade única e sublime. A aura de futrica, tricana e doutor…, não se esgota na sua urbe nem desembaúla pela ruralidade das outras cidades, vilas, freguesias e aldeias a seus pés. Complementa-se e contempla-se nesses amores e desamores. E Ana Abrunhosa não fechou as portas da cidade, abriu-as de par em par e abraçou Soure, Montemor-o-Velho e a Figueira da Foz. Falou-nos de nós. Teve a intuição de saber que Coimbra não pode esquecer a sua padroeira, Rainha Santa Isabel, e o seu regaço de prodígios. Assim é o desígnio de Coimbra, do seu Distrito. Assim é o dever do seu autarca maior. 

São estas existências políticas com os seus paradigmas de democracia, que não esgotam a exigência com compromisso e a sua convenção de requisitos. Existem em mim um juízo de razão e análise que não se subjuga ao “politicamente correto”, mas ao primado das suas regras e valores. Reconhecer méritos e aptidões em democracia pluralista, não é fragilizar o espaço de ninguém, é um dos princípios para incentivar a nossa melhor versão em prol da comunidade.

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A coluna vertebral de um cidadão livre!

Quando nos acusam de não ter coluna vertebral e de titubear o esqueleto para os lados é um atestado depreciativo. Mas só o é, ou o passa a ser, se o inquiridor tiver um cadastro impoluto de virtudes. Que o seu único defeito, seja ter o dedo lampeiro para acusar e julgar de forma persecutória.  Não é o caso e ficamos falados face ao ruido de quem percorreu o passeio da esquerda para a extrema direita. Gosta de espalhafato e de radicalismos. É muito disruptivo!

Mais grave que isso, é termos um simpático que invoque outras avarias, para se poder juntar com tal figura a morder-me no canastro. A festança deveria ser boa e o arraial de uma folia estonteante. Confesso que rejubilo com isso. A vida só faz sentido se a nossa existência proporcionar a felicidade nos outros. Dá-me pica e a adrenalina suficiente para sorrir, rir, sacudir a água do capote e seguir caminho.  

Nunca neguei a ninguém que sou de direita. Que sempre votei para as legislativas no PPD/PSD. Não sou é carreirista. Muito menos, lambe botas.

O estar como militante num partido político, não me faz perder os cinco sentidos da análise crítica e de expressar a minha opinião. Obriga-me a potenciar essa prerrogativa. O ser exigente cria a competência.

E nesse sentido, não posso deixar de expressar o meu censo litigável sobre a espera que se efetivou à “Depressão Kristin”. Um evento extremo climatérico, com rótulo de alerta vermelho, que pode pronunciar entre outras advertências o recolher obrigatório e interdição de circulação.  Soubemos prevenir que iria acontecer essa ocorrência, mas não conseguimos reagir com a destreza necessária para fazer face aos seus efeitos e causas.  

O evento catastrófico viveu-se de noite, madrugada. Imaginemos se fosse de manhã, na alvorada de uma população a acordar, levantar-se e sair de casa, para ir para as suas rotinas diárias!?

Não soubemos atempadamente que esta vetusta besta se preparava para atacar o território nacional com maior incidência entre o Distrito de Coimbra e Leiria! O, que se fez na propagação de informação e quais os conteúdos trazidos a divulgação para de uma forma pragmática os cidadãos se apercebessem do seu grau de perigosidade!?

Ninguém escambou sonhos por insónias. Julgou-se que eram ventos mais açodados, chuva com mais uns pingos e o Atlântico mais alapoado.  Nas vésperas as televisões continuaram com a sua grelha de aleivosias de entretenimento, os jornais nas mesmas alcoviteirices e bisbilhotices e as rádios a dizer as mesmas larachas e pataratices. Afloraram “a coisa” como se de um arrufo se tratasse. Algo anormal, mas de peito feito devotado à indiferença de informar sem alarmismos, mas com o pragmatismo adequado. Entreter a malta é a fórmula de uma catarse anestésica e sorumbaticamente aceitamos isso como o nutrimento vital. O improviso, depois do malfadado fado é a reserva da rua mais perto de nós. A vizinha mais sorrateira e adivinhada para socorro, passa a ser a indiferença.

A Sra. Ministra da Administração Interna, certamente assustou-se, derrapou na linha de partida e provavelmente, esbardalhou-se. Momentaneamente perdemos o contato com seu o paradeiro. Deduz-se que pudesse ansiar por palavras de conforto, de serenidade e de incentivo para se levantar, mas lixou-se, a malta andava atarefada.

O Estado de calamidade se calhar não foi solicitado de imediato, porque prevê-se mais uns ímpetos climatéricos para o fim de semana e com uma cajadada só, enfuna-se dois alforges de esmolas da Europa!

Mais firmeza e prontidão exige-se, Sr. Primeiro Ministro.

Pronto, lá vem o meu amigo de coluna vertebral indemne com a história do vira casaca. Por acaso, para o mau-olhado, até me sirvo desse efeito. Mas cá para nós, não é que acredite muito nisso, mas dá jeito para criar a sugestão que tenho um escudo tipo carapaça, daqueles que “incha, desincha e passa”. “Saúde e coza ao forno!”



segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O paradigma de uma eleição presidencial que tem na segunda volta:

O IMPROVÁVEL” e “O CONTRARIADO”. 

Regressei a uma filiação partidária. A um partido político com quem tenho enormes afinidades dogmáticas, PPD/PSD. Confesso, que fui para a assembleia de voto com algumas indefinições, mas assumi no apuro do ato, votar no Dr. Marques Mendes. A outra hipótese, seria o Dr. João Cotrim de Figueiredo.

Tenho pelo Dr. António José Seguro, respeito cívico e democrático. Um homem que foi um mal-amado no Partido Socialista. Apunhalado por um estratega sedento de poder – sr. António Costa – causador de muitas enfermidades com que o sistema democrático vive. (Sem esquecer um tal, José. O apelido não digo, para não ofender um filósofo que admiro).

Quando apresentou a sua candidatura o Dr. António José Seguro, antes de receber qualquer critica de outras origens, foi humilhado e torturado de críticas pelos camaradas que assistiram ao seu abandono da vida política e pública, sitiados no Largo do Rato.

O Dr. António José Seguro, não reagiu a nada e não comentou coisa nenhuma. Fez-se ao caminho com os seus amigos e admiradores, e pouco a pouco, viu do Partido Socialista, adventos: os acordados de vigílias, vindos do nevoeiro, empurrados, tropeçados, mortiços, espantadiços, melancólicos e os sem vergonha nenhuma na cara. Nada que o fizesse abandonar o carrinho de choque com que se fez à viagem. Sempre tranquilo e a cumprir o código da estrada, evitando abalroamentos, despistes ou colisões em cadeia. Nunca teve a tentação de parar, bisbilhotar, tirar uma “selfie” e postar-se, postando a paisagem que ia acontecendo. E isso deu-lhe o direito democrático de subir ao palco nas Caldas da Rainha, para agradecer a confiança nele depositada. E isso fez dele “O Improvável”. Tornou-se “forçadamente” independente. A sua sorte.  

“O contrariado” é o Dr. André Ventura. O senhorio do Chega. O político omnipresente das autárquicas. O líder da oposição. O candidato a Presidente da Républica. O emergente e insurgente líder de um partido que se instalou na sociedade portuguesa, devido a todos aqueles que tiveram engulhos de boca a revelar apoio ao vencedor da primeira volta. E os demais - sobejamente conhecidos - dos partidos do arco da governabilidade.

A esmagadora maioria do eleitorado do “grande líder” é gente tão portuguesa quanto eu. Simplesmente está aborrecida e indignada com a promiscuidade perpetrada por pessoas sem escrúpulos que usaram e abusaram da delegação de competências que lhe foram atribuídas pelos cidadãos eleitores e a quem “teimosamente” fomos reiterando confiança, sem um escrutínio de análise critica. A filiação partidária ou simpatia pessoal, falou mais alto.  

Os partidos do arco da governabilidade deram primazia ao cartão de militante e polvilharam de gente impreparada, pilares fundamentais de uma sociedade. Na educação, na saúde e na justiça, tendo estabelecido uma lógica cooperativista de interesses genealógicos partidários.

A tríade de um estado social equitativo e responsável, eclipsou. As políticas demográficas foram e são desastrosas. A reorganização territorial para mitigar o abandono do espaço rural e a sua degradação ambiental é uma coutada de experiências vãs e de negociatas. E perdem-se vidas de uma forma hedionda. E derruímos património de uma forma absolutamente criminosa. A lei da labareda atribui o seu legado devastador. E tudo isto acontece pela incúria política e falta de sentido e autoridade do Estado.

Para completar o ramalhete, o atual Presidente do Conselho Europeu – um estadista de mão cheia, um visionário que se amantizou e se fez compadre das amigas e dos amigos que odeiam a União Europeia para ser poder por cá – escancarou as fronteiras com o beneplácito do Sr. Presidente República Dr. Marcelo Rebelo de Sousa e vimos entrar ao libre arbítrio “todos e todas” sem uma regulação adequada, equitativa, solidária e humanista. Com êxodos nos antípodas dos nossos valores ancestrais.

E com todas estas enfermidades por falta de uma boa alimentação política, higienização dos médicos com os descuidos dos pacientes, surge o deus das mezinhas ambulatórias.

Tem remédio para tudo e nem precisa de internamentos. O partido é ele com ele. E neste proliferar de soluções verbais, se os partidos históricos da nossa democracia não ganharem vergonha, decoro e respeito mútuo entre si, o deus omnipresente, está com alma a sair das zonas rurais e ascender a meia encosta das cidades, até tomar a torre de menagem de cada castelo.

O seu discurso de ascensão à 2ª volta, foi o de um candidato para o ministério de governo não de magistratura de influências. Em vez de congregar apelou a uma falange, acicatou ânimos, fomentou a discórdia, pulverizou ódios e tentou criar a imagem de ser o “soberano” à direita.  E isso, nós – democratas desse espaço e espectro político – não lho devemos consentir. Temos que saber expurgar todas as nossas responsabilidades pelo caminho até aqui percorrido, e assomar aonde exageramos na omissão e negligência. Aonde perdemos a confluência da mensagem da nossa maior referência, Dr. Francisco de Sá Carneiro.

Por ter o discurso que teve, considero que estava no palco errado, tornando-se “o contrariado”.

Tudo neste pais se começou a afirmar e a originar, como quem faz a leitura de um livro. Abre a primeira página, lê-a… procura o meio do livro, passa os olhos… e vai para a esplanada a lê-lo a caminhar pelo passeio, faz que tropeça, vitimiza-se, desperta olhares, e maliciosamente suspira: - “Ups”, ia caindo!

- Mas, quem realmente se estatelou, fomos nós!

Há que percorrer informação, explorar as narrativas e projetar a história como ela se viveu e foi descrita. Nunca na profanação dos direitos de autor ou através do seu plágio.  

Eu não vou ficar indiferente à 2ª volta. Vou votar no Dr. António José Seguro.

Confesso que não simpatizo com alguns dos seus amigos. Que tenho a noção que vou encontrar alguns radicais de esquerda. Que me vou cruzar com jacobinos e outras tribos remanescentes de apoleirados.  Mas não são eles que me incomodam. A matriz do Partido Socialista é profana de deuses menores. Tem ascensões e dissensões. E eu embora censure veementemente o período do José, do Costa e do Nuno e dos seus correligionários, acredito no perfil estatutário dos seus valores democráticos. Sabendo que temos muita propensão para discordar. Mas eu necessito desse aditivo antagónico para enaltecer a democracia que amo e desalmadamente defendo.

Depois o Dr. António José Seguro sobreviveu ao seus mais veementes detratores e eles estão quase todos dentro do seu próprio partido. E isso diz-me duas coisas. É um homem com personalidade e imensa resiliência. E que ao escolher a cidade das Caldas da Rainha é sintomático para todos. Nela, também nos doou uma mensagem de estar atento e de esperança, que Rafael Bordalo Pinheiro expressou no “Zé Povinho” como figura de indignação e frustração. E basta-nos este boneco.

Não podemos pedir alteração de comportamentos, senão formos exigentes com as nossas escolhas.

A minha filiação, agora, tem como referência os valores da democracia pluralista nos primados da tolerância, da harmonia social, do humanismo, da equidade e do respeito pelo espaço de cada um, na República Portuguesa.  

domingo, 11 de janeiro de 2026

A ignominia dos anónimos e a sua bravura! E os Calinóquios!

Prolifera nas redes sociais – e um pouco pela rua – uns indivíduos e grupelhos de bravos do pelotão. Figuras e gentes de uma tribo de guerrilheiros mais parecidos com bagunceiros. Poltrões. Mandam umas atoardas para o ecrã como inquisidores providos do “século das trevas”. Instigadores de um declínio ético e moral quando se recriam num estado de direito e no primado de uma democracia pluralista. A clandestinidade é uma arma quando o obscurantismo segrega os valores básicos da cidadania plena e da liberdade das pessoas.

Eu próprio já fui vítima de alguns afeiçoados do abstrato sem silhueta e recheio intelectual. O mudar de opinião não é crime. O aprimorar conceitos, o dialogar a pedir explicações, o ponderar analisar contextos, o decifrar novos conteúdos de estar e de informação e o esgrimir o tempo no seu tempo nos seus momentos, não invalida o ter sido crítico e agora trilhar um caminho, sobre a alçada de um signo e procurar outra sina. Não retiro uma virgula ao meu passado, isso era desvirtuar a minha história. Como não antecipo viver o meu futuro sem lavrar, semear e cultivar o meu presente.

Assisto cá na paróquia a atoleimadas diatribes de censura sem rosto, configurada num bonecro com óculos, ou não, a cilindrar personalidades políticas. Alguns com textos acutilantes e pertinentes, mas enfermos de idoneidade intelectual por falta de esqueleto, muito em particular sem coluna vertical. Que se esvaziam e esfumam sem remissão. 

De igual modo, temos observado – nesses bonecros – respostas de legiões de propagandistas a defender o seu “herói” de uma maneira vulgar e de baixo nível.

Há um movimento cá na paróquia, que tem como rubrica identitária a vitimização. Tudo que lhe possa causar desconforto ou inconveniência, invocam essa prerrogativa.  E salta-lhes logo a pergunta: - Para haver uma vitima tem que haver um opressor / agressor, certo?

Numa resposta simplista e simplória, claro que sim. Pois, um opressor / agressor, pela sua natureza e comportamento, está à margem da lei.  

Agora quando se invoca um estatuto – seja de cidadão ou de eleito – e se questiona, se tenta esclarecer dúvidas e acima de tudo, se tenta procura ser “transparente e participativo” dentro da Lei, isso jamais é ser-se opressor / agressor. Isso só define quem usa esse argumento. Sentem-se os latifundiários intangíveis do regime, com cute de ovelha e canastro de lobo.

Escasseando-lhe esse argumento, ouve-se outro, “ressabiado”. Quem respeita o seu espaço de missão e interroga / solicita nessa circunstância, nunca se espelha como ressentido / melindrado. Coloca-se no seu lugar.

"Largos dias têm 100 anos". E a verdade nunca foi independente!

 E para tal o “herói” hoje – amanhã se calhar, melhor ainda tem inúmeras opções de palco -   encontra-se “seguro” entre camaradas!

E estes de o serem (qualquer coisa) a independentes, estão para hipocrisia o que o cinismo está para a mendicidade intelectual. Oportunistas!  


sexta-feira, 23 de maio de 2025

"Ensaio sobre a Cegueira"

Existem tempos de meditação e outros em que as certezas se aliam com tudo que nos dá essência e vida. Vivemos tempos de muitas incógnitas e momentos em que as estratégias se sobrepõem ás evidencias dos factos e razão.

Sempre soube viver intrinsecamente ligado ao cordão umbilical das minhas convicções. Nunca me destitui do direito critico que a liberdade me concede. Preservo imenso a minha honestidade intelectual e o discernimento que essa faceta me exige. Nunca me acomodei ao poder instituído, para me sentir bem e importante. Tão pouco adapto esse caminho, para ter o direito de ser um cidadão com mordomias e direito a protagonismos falaciosos.

Já desconfiava antes do dia 18 de maio o que agora, após esse dia, constatamos e passamos a conviver. O abrupto arriamento da esquerda baseada na alucinação “woke” e a decadência da mensagem e vultos do partido de Mário Soares, que numa estratégia suicida deu protagonismo a um só deputado com advertências de inquirimento, regras e bons costumes. E que já acompanhado por mais onze, idiotizou que se aparecessem mais, fragilizava o partido de Francisco de Sá Carneiro. Esse doutoramento de estupidez e insanidade política, tem rostos. Os mesmos que agora solicitam “caridade” para poderem resfolgar. Ferro Rodrigues, Carlos Cesar, Augusto Santos Silva, Pedro Nuno Santos… coadjuvados por meninos de “está-se bem” da creche do Largo do Rato e militantes e apoiantes seguidistas destituídos de análise critica ou pudor. Os que entre muitas omissões e negligências, nunca expressaram repúdio publico pelo líder que vivia – e vive – “à grande e à francesa”, alegadamente pelo altruísmo de um primo e mamã.  

Sendo o mentor e estratega maior, o sr. António Costa - um político trivial – que goza agora a benesse de ser o Presidente do Conselho Europeu… … ….

E nessas e outras incongruências. Indignações. Desregramentos. Ressentimentos. Protestos. Concludente disrupção, os antifascistas de outrora, tornaram-se os neofascistas de agora. Ironia das ironias.  Repare-se que a sul do Tejo só o distrito de Évora não se chegou ao Chega. Mas há a “Necessidade de uma acção comum para enfrentar os interesses reacionários”. Para que não reste dúvidas – atentemos - na leitura de um texto mui ficcionado: - “CDU é a expressão do compromisso”, afirmou o Camarada Geral.

De alucinação…, em delírio inato, o PCP atira-se para o barranco de um reguengo do que sobejará…  para não falar do que aconteceu no Alvito… e afins.

A única esquerda que emergiu foi a europeísta e sem conotação com o exercício de poder recente…

Espasmo do pasmo, agora, alguns socialistas insurgem-se contra a sua rogada “exclusiva” arma, “o voto popular”.  E levantam fantasmas num “placard” de frases de intelectuais – o mais requisitado é o escritor que escreveu o “Ensaio sobre a Cegueira” - para acordarem para a vida plena da democracia pluralista e abrirem a pestana para banhos de humildade e águas medicinais para fortalecer o esqueleto. Querendo insinuar que actualmente a esmagadora maioria do eleitorado é jumento e eles os imperecíveis iluminados.

- Será que esta gente não tem a capacidade de um acto de contrição!? – a ser assim são e tornam-se tão burlescos.

Tempos de apreensão nos aguardam. Momentos desse tempo, exigem-nos ponderação e intervenção.

A ascensão do Chega é preocupante porque se baseia no culto da personalidade, estigmas de avaliação comportamental…, demagogia…, referências políticas internacionais que não olham a meios para justificar os fins.  O Chega, ostenta-se num discurso assertivo – repito, DISCURSO - de denúncia e de razões de valores que nos definem como povo e pátria. Um cardápio de assuntos que a esquerda estigmatizou como irrelevantes, com o chavão inclusivo e segmentado numa babugem futurista de equidade social. Importa é demonstrar compaixão como de um tratado de nacional socialismo se tratasse e rendas se sustentação fossem.

O eleitorado do Chega é baseado na sua esmagadora maioria em cidadãos dignos e cientes de justiça social. Fartos da promiscuidade daqueles que fizeram da causa pública um jardim de aromas seus e sombras exclusivas dos seus agregados. É preciso resgatá-los para os espaços sociológicos da tolerância. Da equidade representativa baseada na idoneidade, rigor, transparência e meritocracia.

Tais evidências, infelizmente são transversais a toda a sociedade e ao seu campo gregário. A mim nessa denúncia, compete-me regressar ao espaço público como um dos seus agentes e assumir a minha cidadania plena.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

O frei da cobardia e o falso moralista

Numa postura inqualificável um sujeito, coloca em causa vários exercícios de gestão do município. Todos nós temos o direito de questionar e pedir explicações de uma forma digna e respeitadora. Olhos nos olhos, com vulto. A poltronaria com que o faz, atenta contra os valores de um estado de direito e da democracia. Execrável!

O comunicado político que o contesta, adjectiva demais e explica de menos. Obviamente que me solidarizo com a indignação e a infame deslealdade cravada. Mas há espaços próprios para desenvolver as acções adequadas. Denunciar nos lugares estabelecidos o reproche sem fisionomia, e explicar nos palcos certos as opções tomadas. Clarificadas as preferências, que se reconquiste o bom nome e credibilidade das pessoas visadas e dos Órgãos políticos que as cabimentaram. Tudo devidamente esclarecido, tenderá a deixar de ser: - Assunto.

Na política, como na vida não vale tudo! E quem não deve não teme.

Existem uns – os falsos moralistas - que combinam parcerias, causas comuns… e depois orquestram manigâncias e fazem prevalecer a sua vontade. Do que era plural passa a ser o singular. A palavra, a sua honra, a sua excelência, diluem-se. Elegem-se em manipulação para mandar e nesse desmando, tentam delegar com uma enorme desfaçatez as competências que grosseiramente assumiram. Com a maior naturalidade, candura e mesquinhez. Inqualificável. 
Um comparte que quebra um acordo é um medroso. (Ponto final).

Ontem estive com um amigo num jardim com alguma relevância na sociedade de V.N. Poiares… No seu imóvel, partilhei a sua amizade em fraterna camaradagem. Qual não é o meu espanto que um chupa-galhetas do regime – numa atitude pidesca – tira uma foto do evento. Tal efeméride, mereceu de mim o meu mais veemente repúdio. Poucos minutos depois, o seu grande líder, jacobinamente aparece em todo o seu esplendor.   (O sacana do Luisinho, retrata o episódio magistralmente na sua página do Facebook.).  

O que se passou ontem, já se passou noutro fim de semana, com outros contornos.

A privacidade. O recato. A vida a fluir naturalmente é um atentado para esta gente!?

Será que não há vergonha na cara!?

O desnorte é tanto que tudo o que subsiste … se torna suspeito!?  

O ridículo tornou-se uma arte contemporânea!

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Foi talhada a “nim”. Vai de “nim”. Até isso foi e é no Município.

Estamos a começar a fruir de umas das mais “intrigantes” campanhas autárquicas em Vila Nova de Poiares. A incerteza da fragmentação eleitoral e com isso a particular impreparação que alguns rostos preconizam, podem-nos levar para um abismo e pantanal de ingovernabilidade. O Partido Socialista, o principal alfobre do parque autárquico está completamente moribundo e assanhado. Nisso o seu ressabiamento foi por demais evidente na última Assembleia Municipal.

A uma questão – de outra que fez em quatro anos de Assembleia - o Sr. Nuno Neves actual Presidente da Freguesia de Poiares Santo André – candidato pelo Movimento Independente / “Poiares a Sério” ao Município, originou uma acalorada discussão em que houve cobras e lagartos amarinhados com raios e coriscos … que o líder da bancada do PS o brindou como “artista político”, entre outros mimos… calçando-lhe epítetos de “populista” e de “Salazar”.   

E é neste cultivo de asserções e insultos que vão fundamentado a intolerância, esgotando todas as capacidades de diálogo e interacção no futuro.

O êxodo que o PS viveu ao longo destes tempos com assento de arraiais de muitas das suas figuras por outros ancoradoiros políticos é demonstrativo do que foi o seu ambiente de exalçamento de egos, pouca flexibilidade de partilha de comportamentos políticos e instável tolerância na convenção do contraditório. Sintomas que exultam essencialmente a débil capacidade de liderança de quem gere o seu condomínio político.  

O comportamento autodestrutivo do PS, que originou a debanda de inúmeras figuras relevantes do seu dia a dia e de inclusive amputar predicados e adjectivos a quem ficou, visualize-se e atente-se no que foi o papel acessório da actual candidata ao Município pelas incumbências que nunca lhe atribuíram e jamais lhe reconheceram na hierarquia da actual vereação socialista. Ademais, nunca podemos deixar de relevar o comunicado “nim” … após uma notícia de um órgão de comunicação social. Que expôs ao ridículo quem redigiu a missiva e quem ele algemou ao seu mando e vontade. Inacreditável!

Serve a lição que, congregar na política, não é fazer a submissão de ninguém é partilhar espaços de intervenção no espaço comum em prol da comunidade.

(Este texto, sofreu uma actualização em virtude da confusão que se instalou. Cultivo a necessidade de ser o mais fidedigno possível. Houve momentos que se falava de alhos e era de bugalhos que se tratava. Tal necessidade de alteração a um parágrafo do texto, não aconteceria se as Assembleias fossem impressas ao público. Bastava consultar. São cenas como estas, que nos fazem infelizmente compreender o signo do “lápis azul”.

O mote libertário de quem resta nas hostes socialistas, tem como signa: - “Dividir para reinar / Quem não sabe é como quem não vê!”).