Quando nos acusam de não ter
coluna vertebral e de titubear o esqueleto para os lados é um atestado
depreciativo. Mas só o é, ou o passa a ser, se o inquiridor tiver um cadastro
impoluto de virtudes. Que o seu único defeito, seja ter o dedo lampeiro para
acusar e julgar de forma persecutória. Não
é o caso e ficamos falados face ao ruido de quem percorreu o passeio da
esquerda para a extrema direita. Gosta de espalhafato e de radicalismos. É
muito disruptivo!
Mais grave que isso, é termos
um simpático que invoque outras avarias, para se poder juntar com tal figura a
morder-me no canastro. A festança deveria ser boa e o arraial de uma folia
estonteante. Confesso que rejubilo com isso. A vida só faz sentido se a nossa
existência proporcionar a felicidade nos outros. Dá-me pica e a adrenalina suficiente
para sorrir, rir, sacudir a água do capote e seguir caminho.
Nunca neguei a ninguém que sou
de direita. Que sempre votei para as legislativas no PPD/PSD. Não sou é
carreirista. Muito menos, lambe botas.
O estar como militante num
partido político, não me faz perder os cinco sentidos da análise crítica e de
expressar a minha opinião. Obriga-me a potenciar essa prerrogativa. O ser
exigente cria a competência.
E nesse sentido, não posso
deixar de expressar o meu censo litigável sobre a espera que se efetivou à “Depressão
Kristin”. Um evento extremo climatérico, com rótulo de alerta vermelho, que
pode pronunciar entre outras advertências o recolher obrigatório e interdição
de circulação. Soubemos prevenir que
iria acontecer essa ocorrência, mas não conseguimos reagir com a destreza
necessária para fazer face aos seus efeitos e causas.
O evento catastrófico viveu-se
de noite, madrugada. Imaginemos se fosse de manhã, na alvorada de uma população
a acordar, levantar-se e sair de casa, para ir para as suas rotinas diárias!?
Não soubemos atempadamente que
esta vetusta besta se preparava para atacar o território nacional com maior
incidência entre o Distrito de Coimbra e Leiria! O, que se fez na propagação de
informação e quais os conteúdos trazidos a divulgação para de uma forma
pragmática os cidadãos se apercebessem do seu grau de perigosidade!?
Ninguém escambou sonhos por
insónias. Julgou-se que eram ventos mais açodados, chuva com mais uns pingos e
o Atlântico mais alapoado. Nas vésperas
as televisões continuaram com a sua grelha de aleivosias de entretenimento, os
jornais nas mesmas alcoviteirices e bisbilhotices e as rádios a dizer as mesmas
larachas e pataratices. Afloraram “a coisa” como se de um arrufo se tratasse.
Algo anormal, mas de peito feito devotado à indiferença de informar sem
alarmismos, mas com o pragmatismo adequado. Entreter a malta é a fórmula de uma
catarse anestésica e sorumbaticamente aceitamos isso como o nutrimento vital. O
improviso, depois do malfadado fado é a reserva da rua mais perto de nós. A
vizinha mais sorrateira e adivinhada para socorro, passa a ser a indiferença.
A Sra. Ministra da
Administração Interna, certamente assustou-se, derrapou na linha de partida e provavelmente,
esbardalhou-se. Momentaneamente perdemos o contato com seu o paradeiro. Deduz-se
que pudesse ansiar por palavras de conforto, de serenidade e de incentivo para
se levantar, mas lixou-se, a malta andava atarefada.
O Estado de calamidade se
calhar não foi solicitado de imediato, porque prevê-se mais uns ímpetos
climatéricos para o fim de semana e com uma cajadada só, enfuna-se dois alforges
de esmolas da Europa!
Mais firmeza e prontidão
exige-se, Sr. Primeiro Ministro.
Pronto, lá vem o meu amigo de
coluna vertebral indemne com a história do vira casaca. Por acaso, para o mau-olhado,
até me sirvo desse efeito. Mas cá para nós, não é que acredite muito nisso, mas
dá jeito para criar a sugestão que tenho um escudo tipo carapaça, daqueles que “incha,
desincha e passa”. “Saúde e coza ao forno!”