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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

POEMA - Tu de ti sou eu...


Há em ti uma aura

Que transborda o além de nós

Uma coisa que nos absorve e repele

Que numa poeira sem pós

Nos afaga e faz áurea a pele.

 

Que banho de sujo teu tomei

Que toalha uso para me limpar

Se em todo o meu corpo achei

Uma silhueta de ti sem a apagar!

 

Estás iletrada em mim não te sei ler

Tão pouco te sei ditar para te escrever.

Estremeço.  

E com a tua imagem, adormeço.

 

Estás disfarçada em mim não te sei ver

Tão pouco te sei falar para te perceber

Arrefeço.

E com a tua miragem, aconteço.

… … …

Alberto de Canavezes

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

POEMA – A MATT CARDLE


Magistral. Soberbo. Sublime. Único. Acalma a calma e o repouso do silêncio.

Igual!? – Só o sussurro da fogosidade melódica do mesmo. O lídimo: - é ele.

Que fumo exala aos meus olhos e me enche a alma senão a voz de incenso!… 

Quanto demora a acender uma vela cem cera e sem chama que alumia nele!?

 

Não preciso de usar acendalha, pólvora ou empurrar o talento para a lenha

O seu pintar perfeccionista contagia a barreira com o seu eco e masturba-a.

Que não há quem queira viver no céu ouvindo a sua voz no inferno. A senha?

É que no derrubar a frigidez de um ouvido insensível a besta guia-a e curva-a…

 

Mas se existem os Anjos e o tal Deus

Lá pelos remansos sítios aonde se albergam os Santos

Existem almas que se abotoam dos seus talentos

E se perdem moribundas de fé por todos os cantos…

E a Babilónia será:

- Quem não o ouvir, outro caminho não terá…

E sem o seu ego se desprezará!

Alberto de Canavezes

sábado, 2 de fevereiro de 2013

POEMA – Ao Roxo que sinto em mim!

Que roxo tempo se poisa em mim qual moinho me faz pó de farinha se eu em ti sou nevoeiro e espírito um naco de nada e fada-madrinha. Que aplaco sinto no alto do monte que calma me acomete e faz viver num abafo que me afague e conte que um dia hei-de lá querer viver. Que descoberta detenho eu que pareço vem perto do céu da lua e do eterno que demando um evocar de meu pai numa melodia que recebo e mereço!
… … …
Alberto Canavezes

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A um amor desconhecido!

Um ar de poeira esbulhou-me a fronte
Embalou-me uma encorrilha, uma dor
Aliciando-me o ouvido num queixume   
Segredando-me a pureza do teu amor…

Subi ao Caneiro e espreitei-te do Roxo
E fui esconder a minha sombra ao alto
Ao vento na Aveleira entre os moinhos
Aquém do sol, empurrando o nevoeiro
Que fica nume e se poisa em Gavinhos.

De soslaio espreitei Coimbra e olhei-te    
A aguar os pés no Mondego na alvura
Aluindo as águas em capas de guitarra
Nas trovas de orlas sem leito, sem rua.
… … …
Alberto de Canavezes      

sábado, 26 de janeiro de 2013

POEMA - Nós num amor de um em um.

Eu me apego de ti e sem ti não sou eu
Se tu em mim me unes e em mim sou
O que nós não somos separados em ti
O que do nosso amor anexo não ficou
Resta um em um de dois num par uno
Na soma de um afecto que um do outro tirou
… … …
Alberto de Canavezes

Plácido no silêncio de uma alma. I

Olho-me e pressinto que caminho para aquilo que o ser humano tem mais de sublime. O óbvio. A morte. Quando ela nos chama de conteúdo sazonado… Nela, todos os seres vivos são semelhantes e dissentidos. Alega um crédito de silêncio que só os que vivem a paixão da sua essência – a vida - a sabem abraçar sem traumas ou estigmas de desassossego. Entre os meus defeitos e virtudes. Coisas boas e ruins. Sorrisos e risos. Opções factuais e rumos ideados. Opiniões e os seus reversos de contraditório. Desdém ao prosaico e apego ao lírico. Gosto de mim. Vivi e vivo intensamente a minha rebeldia e a minha temperança nos comuns dos caminhos. Naquilo que sempre denominei: - eu em mim. Não faço de contas, ou estou por estar. Saboreio os conteúdos da vida no seu verso e inverso até ao tutano.  
Estou na sua peugada e retenho-me tranquilo. Deixei de acreditar em Deus... Assumo, respeito por Jesus. Mas nem por isso temo a agnosia do céu que dizem acolher os bondosos e os crentes. Não vivo na intenção desse ensejo. O sofisma da partitura que alguns praticam para esse desiderato mete-me viva repugnância.
… …
A idade que possuo permite-me ser igual ao anteontem dos meus cabelos brancos e rugas na cara. Mas mais consentido… e exposto.
Não me escuso de dizer o que penso nem de lutar pelas minhas convicções até ao limite das minhas forças. Nunca abdiquei dos meus princípios e bases intrínsecas da minha génese humana, para aproveitar a ocasião temporal de um domínio situacionista e castrador da minha liberdade cívica, para estar no conforto e no “bem-bom”.
Alguém disse: - “… penso, logo existo”. E concordo plenamente. E se tal o certifico, também o tenho que consentir nos outros.  
No entanto nem sempre me deram essa prerrogativa.
- Azar. Azar. Azar. Coincidências. Dizem.
Aventura a minha sentir e recordar essa contrariedade.
Sorte. Sorte. Sorte. Certezas. Digo eu.   
Porque a morte é uma certeza seja ela de torcedura agnóstica ou de crendice religiosa. E para quem bate com as mãos no peito a dor do julgamento deverá ser inquietante. Ou não!?
… … …
(continua)
Alberto de Canavezes

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Todinho e pouquinho…

O despeite de um parolo nunca se traduz no não é… nem no… que nunca foi.
Talvez no que é. Simplesmente alarve.
… … …
ALBERTO DE CANAVEZES