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sábado, 27 de dezembro de 2014

O outro natal do Natal!

Neste Natal
Senti um arrepio de frio
Algo que me aqueceu a alma
Algo que me deixou meio vazio
Cheio de incertezas e incensos
Que me empurrou para a margem
Que separa um riacho de um rio!
 
Ouvi mais uma vez falar de um menino
Que depois se fez homem e espalhou
Uma semente nova pela humanidade!
Adoro como sempre a história do nascido
Admiro como sempre a mensagem do adulto.
Anatematizo a tradução da retórica da sua fé
Porque o resultado quase sempre como culto
Provém dos cincos sentidos da mais baixa ralé!
 
Em seu nome:
Rouba-se.
Mata-se.
Apeia-se a cidadania dos mais indigentes!
Escraviza-se a alma de imensos inocentes!
Que Sanha! A que sina eu assisto!?

(Salve! Mundano Francisco)
….  … … …

Alberto de Canavezes

Pomos do teu pó!

Necessito de me aconchegar a ti
E calcar a tua sombra nos teus passos
Sentir-me imensamente forte e só  
E minguar de idade e continuar velho
Atado num nada de muito sem nó!
Calcorrear qualquer beco e quelho
A erguer e joeirar pomos do teu pó!  

Quero trepar pelo teu corpo e voar
Descobrir-te a cada beijo e carinho
Agrupar as duas partes de cada um
Gemer um silêncio que não o ouças
Mas que o sintas na soada do prazer
Entre o sonhar, acordar e alvorecer!
 
Que o sol se envergonhe do luar da lua
Que a Lua se aperte ao raiar da nossa fadiga
Que as estrelas te atem na sina da mesma rua
Finjam o nosso bem-querer como uma intriga  
E me façam vadiar pela tua sombra bela e nua!
 
Alberto de Canavezes

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

... o pó do meu corpo!

A, cada dia que passa julgo-me mais idealista! Julgo ser alguém que suspira uma vida cheia de pequenas coisas e menores causas já que o que me aguarda é a imensidão do silêncio! Respeito a fineza dos meus sentidos com lealdade e proveito e o pó do meu corpo como algo sublime, resistente e perpétuo. A morte é uma circunstância da vida extraordinária. Define o quanto fomos o nosso: - eu em mim!
A sua imprevisibilidade torna-se latente a cada dia que passa, aos longos dias que nos sustentam o presente e ao intimismo que desposa com o prometido no futuro.
Recuso-me ter nascido só para morrer. Quem vive intensamente o que faz e faz disso uma porção constante e compartida jamais se emoldura no anonimato das “almas” finadas e idas!
Sou autêntico e a autenticidade disso predispõem-me ao perdurar o tempo do meu tempo no tempo que virá no tempo através da sumula dos meus defeitos, virtudes, conceitos, dogmas e cepticismo… Serei descodificado sem ter direito ao contraditório mas esse mérito traduz o que sempre sou (e fui) em vida: - uma pessoalidade transitória sem o preconceito... do que os outros julgam de mim!
Alberto de Canavezes
 
    

sábado, 29 de novembro de 2014

tu... ÉsTu!

Olho!
Olho-me!
E vejo um beijo no meu olhar!
Um, serão de ondas e marés
Em que desaguei a teus pés.
 
Abracei os teus ais em mim
Enrolei-me na tua fadiga
Percorrendo o teu corpo
sem um alcance e dar um fim
repetindo o ser vivo e morto
no alvoroço que não te diga!
… … …
Alberto de Canavezes

sábado, 22 de novembro de 2014

A natureza que me fascina!

O raiar do teu olhar
acaricia-me o rosto
afaga-me a alma
faz-me sentir bem
pensar que sou alguém
um refúgio em que te abrigas
e me amarras na tua sombra!
 
Não me canso de aclamar:
- o sol, a lua o seu luar
a chuva, o vento,
o mar …
o provérbio de toda a mulher…
o tempo de cada tempo no tempo
e o demais que dela souber!  

Alberto de Canavezes   

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Nós... de um!

Sonhei contigo meu amor
perdi-me…
Adormeci envolvido em ti
acordei-me…
e de tantos sermos nós… de um
separei-me!
Deixei-te numa margem de mim
do lado de lá do tempo convivido.
Eido aonde enroupamos agasalho
com gotículas de um motim suado
entre textos e recados sem legenda!
Por cada gemido soletrado ao ouvido
moramos numa narrativa sem lenda
como fogo de chuva seca e sol molhado!
… … …
Alberto de Canavezes

sábado, 5 de julho de 2014

O Senhor o dirá! (I)

Ao longo dos anos criou-se relativo á minha personagem estereótipos e tabus interessantes e fugazes. Aceito isso com reduplicado desvanecimento e duplicado sentido de utilidade. Define o - eu em mim - que fecundo e protagonizo. Nunca me quedei em situacionismos de beneplácitos, interesses pontuais e ou de conveniência. Sempre assumi a minha identidade e convicções até ao mais intrínseco de mim com a intensidade adequada de quem não sabe fingir. Comigo, ou é, ou não é! Ou as coisas possuem o melhor de mim ou recuso-me a estar por estar.
Quando expresso as minhas opiniões ou defendo interesses de quem me delegou ser o seu rosto e voz, decifra-se a frontalidade - quiçá inconveniência - com o que ouço logo, “não me venha como o seu mau feitio”… “você não se dá com ninguém”… com a artimanha matreira da desacreditação e desautorização pessoal. “Nada do que disse é correcto” ou dado ao certo… ou tudo que me sufragou, foi produto de rústicos e alienados!
No entanto o meu Curriculum: Associativo, Cultural, Recreativo, Desportivo e Político, diz-me que mesmo com o meu “mau feitio” deu-me credibilidade para não me “dar (bem) com ninguém”, porque a isenção que aplico na minha postura cívica, traduziu-se por inúmeras preferências em enredos eleitorais plurais e democráticos.
Conheço alguns que dando-se bem com toda a gente, quando vão a eleições democráticas levam um não, besuntado de “cartão vermelho”… e as únicas que ganham são tanto manipuladas que lembram o “Estado Novo”. Deduzo que os eleitores interpretem que não tenham vontade própria aliada à suspeição da “santidade” de agradarem a gregos e a troianos!?
… … …   
Existe outra faceta de que me rotulam e avaliam que de maneira alguma, aceito:
- “… Lá vem você com segundas intenções…!
Esta análise… deixo-a para O Senhor… O qual infelizmente me faz questionar os seus “autoproclamados” e legítimos, seguidores! Deixei de ser crente - por causa sua – por isso não me justaponho em causa própria!