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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O paradigma de uma eleição presidencial que tem na segunda volta:

O IMPROVÁVEL” e “O CONTRARIADO”. 

Regressei a uma filiação partidária. A um partido político com quem tenho enormes afinidades dogmáticas, PPD/PSD. Confesso, que fui para a assembleia de voto com algumas indefinições, mas assumi no apuro do ato, votar no Dr. Marques Mendes. A outra hipótese, seria o Dr. João Cotrim de Figueiredo.

Tenho pelo Dr. António José Seguro, respeito cívico e democrático. Um homem que foi um mal-amado no Partido Socialista. Apunhalado por um estratega sedento de poder – sr. António Costa – causador de muitas enfermidades com que o sistema democrático vive. (Sem esquecer um tal, José. O apelido não digo, para não ofender um filósofo que admiro).

Quando apresentou a sua candidatura o Dr. António José Seguro, antes de receber qualquer critica de outras origens, foi humilhado e torturado de críticas pelos camaradas que assistiram ao seu abandono da vida política e pública, sitiados no Largo do Rato.

O Dr. António José Seguro, não reagiu a nada e não comentou coisa nenhuma. Fez-se ao caminho com os seus amigos e admiradores, e pouco a pouco, viu do Partido Socialista, adventos: os acordados de vigílias, vindos do nevoeiro, empurrados, tropeçados, mortiços, espantadiços, melancólicos e os sem vergonha nenhuma na cara. Nada que o fizesse abandonar o carrinho de choque com que se fez à viagem. Sempre tranquilo e a cumprir o código da estrada, evitando abalroamentos, despistes ou colisões em cadeia. Nunca teve a tentação de parar, bisbilhotar, tirar uma “selfie” e postar-se, postando a paisagem que ia acontecendo. E isso deu-lhe o direito democrático de subir ao palco nas Caldas da Rainha, para agradecer a confiança nele depositada. E isso fez dele “O Improvável”. Tornou-se “forçadamente” independente. A sua sorte.  

“O contrariado” é o Dr. André Ventura. O senhorio do Chega. O político omnipresente das autárquicas. O líder da oposição. O candidato a Presidente da Républica. O emergente e insurgente líder de um partido que se instalou na sociedade portuguesa, devido a todos aqueles que tiveram engulhos de boca a revelar apoio ao vencedor da primeira volta. E os demais - sobejamente conhecidos - dos partidos do arco da governabilidade.

A esmagadora maioria do eleitorado do “grande líder” é gente tão portuguesa quanto eu. Simplesmente está aborrecida e indignada com a promiscuidade perpetrada por pessoas sem escrúpulos que usaram e abusaram da delegação de competências que lhe foram atribuídas pelos cidadãos eleitores e a quem “teimosamente” fomos reiterando confiança, sem um escrutínio de análise critica. A filiação partidária ou simpatia pessoal, falou mais alto.  

Os partidos do arco da governabilidade deram primazia ao cartão de militante e polvilharam de gente impreparada, pilares fundamentais de uma sociedade. Na educação, na saúde e na justiça, tendo estabelecido uma lógica cooperativista de interesses genealógicos partidários.

A tríade de um estado social equitativo e responsável, eclipsou. As políticas demográficas foram e são desastrosas. A reorganização territorial para mitigar o abandono do espaço rural e a sua degradação ambiental é uma coutada de experiências vãs e de negociatas. E perdem-se vidas de uma forma hedionda. E derruímos património de uma forma absolutamente criminosa. A lei da labareda atribui o seu legado devastador. E tudo isto acontece pela incúria política e falta de sentido e autoridade do Estado.

Para completar o ramalhete, o atual Presidente do Conselho Europeu – um estadista de mão cheia, um visionário que se amantizou e se fez compadre das amigas e dos amigos que odeiam a União Europeia para ser poder por cá – escancarou as fronteiras com o beneplácito do Sr. Presidente República Dr. Marcelo Rebelo de Sousa e vimos entrar ao libre arbítrio “todos e todas” sem uma regulação adequada, equitativa, solidária e humanista. Com êxodos nos antípodas dos nossos valores ancestrais.

E com todas estas enfermidades por falta de uma boa alimentação política, higienização dos médicos com os descuidos dos pacientes, surge o deus das mezinhas ambulatórias.

Tem remédio para tudo e nem precisa de internamentos. O partido é ele com ele. E neste proliferar de soluções verbais, se os partidos históricos da nossa democracia não ganharem vergonha, decoro e respeito mútuo entre si, o deus omnipresente, está com alma a sair das zonas rurais e ascender a meia encosta das cidades, até tomar a torre de menagem de cada castelo.

O seu discurso de ascensão à 2ª volta, foi o de um candidato para o ministério de governo não de magistratura de influências. Em vez de congregar apelou a uma falange, acicatou ânimos, fomentou a discórdia, pulverizou ódios e tentou criar a imagem de ser o “soberano” à direita.  E isso, nós – democratas desse espaço e espectro político – não lho devemos consentir. Temos que saber expurgar todas as nossas responsabilidades pelo caminho até aqui percorrido, e assomar aonde exageramos na omissão e negligência. Aonde perdemos a confluência da mensagem da nossa maior referência, Dr. Francisco de Sá Carneiro.

Por ter o discurso que teve, considero que estava no palco errado, tornando-se “o contrariado”.

Tudo neste pais se começou a afirmar e a originar, como quem faz a leitura de um livro. Abre a primeira página, lê-a… procura o meio do livro, passa os olhos… e vai para a esplanada a lê-lo a caminhar pelo passeio, faz que tropeça, vitimiza-se, desperta olhares, e maliciosamente suspira: - “Ups”, ia caindo!

- Mas, quem realmente se estatelou, fomos nós!

Há que percorrer informação, explorar as narrativas e projetar a história como ela se viveu e foi descrita. Nunca na profanação dos direitos de autor ou através do seu plágio.  

Eu não vou ficar indiferente à 2ª volta. Vou votar no Dr. António José Seguro.

Confesso que não simpatizo com alguns dos seus amigos. Que tenho a noção que vou encontrar alguns radicais de esquerda. Que me vou cruzar com jacobinos e outras tribos remanescentes de apoleirados.  Mas não são eles que me incomodam. A matriz do Partido Socialista é profana de deuses menores. Tem ascensões e dissensões. E eu embora censure veementemente o período do José, do Costa e do Nuno e dos seus correligionários, acredito no perfil estatutário dos seus valores democráticos. Sabendo que temos muita propensão para discordar. Mas eu necessito desse aditivo antagónico para enaltecer a democracia que amo e desalmadamente defendo.

Depois o Dr. António José Seguro sobreviveu ao seus mais veementes detratores e eles estão quase todos dentro do seu próprio partido. E isso diz-me duas coisas. É um homem com personalidade e imensa resiliência. E que ao escolher a cidade das Caldas da Rainha é sintomático para todos. Nela, também nos doou uma mensagem de estar atento e de esperança, que Rafael Bordalo Pinheiro expressou no “Zé Povinho” como figura de indignação e frustração. E basta-nos este boneco.

Não podemos pedir alteração de comportamentos, senão formos exigentes com as nossas escolhas.

A minha filiação, agora, tem como referência os valores da democracia pluralista nos primados da tolerância, da harmonia social, do humanismo, da equidade e do respeito pelo espaço de cada um, na República Portuguesa.